Into the wild

22 setembro 2009



Terminei agora de ver o filme Into the Wild. Não se trata de um filme da Disney nem tão pouco um filme de animação. Retrata a história verídica de um jovem, Christopher Johnson McCandless que após terminar o secundário, decidiu doar parte do seu dinheiro para seguir os estudos na universidade e, debaixo do nome falso de Alexander Supertramp, partiu de casa numa aventura solitária em direcção ao Alasca.

Como em quase todos os filmes verídicos, apesar da história base do filme ser verdadeira, existiram algumas modificações na passagem para o grande ecrã e provavelmente para o tornar mais apetecível e dramático.
Não nos vamos agora todos meter numa viagem de comboio até ao glaciar mais próximo, matar animais para sobreviver perante paisagens de cortar a respiração. Pelo caminho conhecemos pessoas interessantes, uma ou duas miudas giras e onde quase tudo corre bem conforme o esperado. Aliás, como curiosidade, de acordo com os experientes na matéria o Christopher cometeu suicídio pois não ia preparado, nem tinha experiência para aguentar por muito mais tempo naquelas condições.

Do que queria falar é da mensagem que é transmitida e que deve ser senso comum para
alguns e relembrada a outros.
Em determinados momentos da vida somos deparados com cenários onde existe uma decisão a ser feita que irá mudar o curso de uma vida. A ser feita? Porquê? Porque quando a pergunta existe, iremos estar sempre curiosos em saber a resposta. Está-nos no gene que iremos esbarrar na pergunta mais tarde ou mais cedo com questões interiores: "E se", "como era", "será que agora" e por aí...

Gostei do filme, da mensagem e o que ela nos faz pensar àcerca de uma derradeira experiência para explorar os nossos limites. O prazer do obstáculo ultrapassado, a aprendizagem na conversa, a liberdade ilimitada, o sermos maior em cada situação repetida, o brilho nos olhos ao viver o presente. O não delimitar a nossa vida de acordo com os paradigmas a nós impostos. Wow....quantas pessoas conhecem assim?

Para mim a questão não deverá ser colocado no ir, mas no vir. Como será a pessoa que irá regressar? Como irá ela sentir-se? Mais rica, interessante, com histórias, com cal na pele, mais magra e sem responsabilidade de casa, família ou lugar. Diferente é certo, mas será mais feliz que a pessoa que partiu quando eventualmente decidir assentar? Quererá assentar ou ficará fiel ao princípio que "home" é onde a estrada nos levar. Uma viagem destas abana os nossos alicerces e quando regressamos ficamos irrequietos, de pensamento vago devido aos pontos de prazer estarem mais dispersos em pessoas e lugares.

O ser humano é um bicho que está descontente e procura sempre mais e melhor. Está no sangue. Mas que não se caia no erro, de forçar decisões só porque estamos descontentes com o que temos. Tem de haver uma razão, uma acendelha, uma luz que nos indique o que seguir, pois para mim, pior que nada fazer, é decidir errado. Não somos todos iguais e o que pode ser transparente para uns, para outros é incompreendido. Por isso, aos meus amigos continuo a desejar a mesma coisa, como fórmula de felicidade: saúde, amigos e amor. Ao que acrescento dizendo façam o favor de ter tomates, partilhar a felicidade e fazer da vida uma alegre salada :)

Existem algumas frases que saltam do filme e que são o seu conteúdo:
- I read somewhere... how important it is in life not necessarily to be strong... but to feel strong.
- I'm supertramp, and you're super apple!
- The core of mans' spirit comes from new experiences.
- Mr. Franz I think careers are a 20th century invention and I don't want one.
- And I also know how important it is in life not necessarily to be strong but to feel strong. To measure yourself at least once. To find yourself at least once in the most ancient of human conditions. Facing the blind death stone alone, with nothing to help you but your hands and your own head.
- Happiness is only real when shared

Já agora, aproveito para também dizer que a banda sonora do filme é fabulosa. Ora não fosse da autoria do vocalista dos Pearl Jam, Eddie Vedder.

Eddie Vedder - No Ceiling
Eddie Vedder - Society


Soundtrack's Playlist:
http://www.youtube.com/watch?v=pHcZ1wPsJYY&feature=PlayList&p=96E841BAD63915E7&index=0&playnext=1

Foto real do autocarro mágico:
http://bbs.keyhole.com/ubb/ubbthreads.php?ubb=showflat&Number=487337&site_id=1#import

Auto-retrato do Chris_McCandless:
http://en.wikipedia.org/wiki/File:Chris_McCandless.jpg

Mais informações:
http://en.wikipedia.org/wiki/Into_the_Wild
http://www.imeem.com/intothewild
http://en.wikipedia.org/wiki/Chris_McCandless

3 comentários:

  1. Raquel disse...
  2. Um filme fantástico que me fez pensar nos meus próprios sonhos e até que ponto estou preparada para desafiar os meus limites. Supertramp foi uma pessoa única e, de uma forma muito especial, alguém que soube viver. E morrer.
    Imagens lindas(o Sr.Sean Penn sabe o que faz!) e uma banda sonora óptima! :)

  3. Pedro Teixeira disse...
  4. Um filme para baralhar ideias, agitar o Eu e o que dele pensamos. Juntar agora na receita conhecer uns malucos (ou corajosos) que planeiam uma viagem do género, guias Rough Guides com dicas de survival em promoção, uma vida desprendida de responsabilidades directa e o resultado é uma bela insónia.

  5. Nuno Nogueira disse...
  6. hmmm, vou ver se consigo comprar pra ver hoje à noite